Foi aos dezasseis anos que comecei a apanhar gosto pela maquilhagem. Tive um grande apoio da minha irmã, que é fotógrafa, e comecei a maquilhar no estúdio dela — com muitos improvisos, porque não tinha grandes condições financeiras.
Cada pouco de dinheiro que ganhava voltava a ser investido no trabalho. E os feedbacks foram tão positivos que percebi cedo o que me prendia: não era a maquilhagem em si, era ver a cara delas ao levantarem-se da cadeira.
O caminho até aqui
Logo no primeiro ano de carreira já fazia noivas e finalistas de universidade. Aos vinte e um anos abri o meu próprio salão de beleza no Brasil, com uma equipa de seis pessoas.
Pelo caminho fiz formação com alguns dos maquilhadores de referência do Brasil e do mundo, além de mais de dez workshops de aperfeiçoamento.
O visagismo mudou tudo
Especializei-me como visagista em visagismo, e foi isso que fez toda a diferença no meu trabalho. Deixei de aplicar um look e comecei a desenhar um.
Visagismo é ler um rosto antes de lhe tocar: onde estão os pontos de luz naturais, como a testa se relaciona com o queixo, para que lado o olho cai. É por isso que o mesmo esfumado não fica igual em duas pessoas — e é por isso que o resultado nunca parece uma máscara.
Em Portugal desde 2022
Mudei-me para o Porto e trouxe comigo a escola brasileira de maquilhagem: pele construída em camadas finas, feita para durar da cerimónia ao último brinde.
Hoje atendo no estúdio em Nova Sintra e desloco-me ao local do evento — em Portugal ou no estrangeiro. Já trabalhei com clientes de vários países.
Formar outras maquilhadoras
Já formei e aperfeiçoei mais de quarenta maquilhadoras. Dou hoje as aulas que gostava de ter tido no início — com a parte que ninguém ensina: higiene, gestão de kit, preços que dão lucro, e o que fazer quando alguém não gosta do resultado.
E continuo a aprender cada dia mais, porque o dia em que achar que já sei tudo é o dia em que o trabalho começa a ficar igual.