A pergunta chega-me quase sempre da mesma forma. Uma mensagem no WhatsApp, à noite, com a data e o nome da quinta. E logo a seguir: «Ainda vou a tempo?»
Na maior parte das vezes, sim. Mas há sábados de junho e de setembro que ficam ocupados com um ano de antecedência, e não há técnica nenhuma que resolva uma agenda cheia. Faço isto há treze anos e já maquilhei centenas de noivas. Este texto é o que respondo a todas, por escrito, para que possa planear com calma.
Porque é que a data se reserva tão cedo
Uma noiva ocupa a manhã inteira. Não é só a hora e meia da maquilhagem. É a chegada, a preparação da pele, as madrinhas, a mãe, os retoques antes de sair para a cerimónia. Nos dias mais cheios vou com a minha equipa, e é isso que me permite dizer que sim a mais do que um casamento no mesmo sábado. Mesmo assim, há um limite, e nas datas de verão chega-se a ele cedo.
Em Portugal, a época alta vai de maio a outubro. Os sábados de junho, julho e setembro esgotam primeiro. Um casamento em novembro ou em fevereiro tem muito mais margem, e é aí que três meses de antecedência chegam bem.
A minha regra é simples. Assim que tiver a data e o local confirmados, escreva-me. Não precisa de ter o vestido, nem o cabelo decidido, nem sequer uma ideia da maquilhagem. Isso tratamos depois. A data é o que se perde.
O que acontece quando me escreve
Mande-me três coisas: a data, o local do casamento e, se já souber, a hora da cerimónia. Respondo normalmente no próprio dia. Confirmo se estou livre, explico como trabalho e, se fizer sentido para as duas, fica reservado.
Só depois marcamos a prova. Muita gente pensa que a prova se faz logo, e é o contrário. Faz-se perto do casamento, com a pele, o cabelo e o tom que vai ter nesse dia. Uma prova em janeiro para um casamento em agosto diz-me pouco: a pele de verão é outra.
A prova: quatro a oito semanas antes
A prova não é um ensaio decorativo. É onde faço o trabalho difícil, com tempo e sem relógio. Vejo como a sua pele se comporta ao fim de duas horas, testo os tons contra a cor real do vestido e fotografo o resultado com e sem flash, porque a câmara do fotógrafo não perdoa o que o espelho perdoa.
Traga referências. As que adora e, sobretudo, as que detesta. Saber o que não quer poupa-nos mais tempo do que saber o que quer. Se já escolheu brincos, véu ou acessórios de cabelo, traga-os também. Metal dourado e metal prateado pedem subtons diferentes na pele, e é na prova que isso se decide.
Porquê quatro a oito semanas e não antes? Porque a pele muda. Bronzeado, um corte de cabelo novo, uma limpeza de pele feita à última hora. Tudo isso altera o que funciona. E porquê não depois? Porque preciso de tempo para ajustar. Às vezes é uma base diferente, às vezes é uma cor de batom que só existe numa loja. Uma semana antes já não há margem.
O dia do casamento: a que horas começo
Conte com cerca de noventa minutos para a noiva. As madrinhas e a mãe entram antes, e a noiva fica para o fim, para sair da cadeira o mais fresca possível.
O horário faz-se de trás para a frente, a partir da hora da cerimónia. Há casamentos às dez da manhã e casamentos às cinco da tarde, e a conta é a mesma: a hora da cerimónia, o tempo até lá chegar, as fotografias antes de sair, os noventa minutos da noiva, e depois cada pessoa que se maquilha antes dela. Daí sai a hora a que eu chego. Combinamos tudo isto na semana anterior, ao minuto, e no dia ninguém precisa de olhar para o relógio.
Uma nota prática. Quem se maquilha primeiro deve chegar já com o cabelo feito, ou pelo menos lavado e seco. Cabelo molhado na altura da maquilhagem é a forma mais fácil de perder meia hora.
Casamentos fora do Porto
Desloco-me ao local onde se está a preparar, seja em casa, num hotel ou na própria quinta. Faço casamentos no Porto, em Vila Nova de Gaia, em Matosinhos, em Braga, em Guimarães, no Douro e em Viana do Castelo. Quanto mais longe, mais cedo saio, e isso entra no horário desde o início.
Para casamentos noutras zonas do país ou no estrangeiro, também vou. Nesse caso convém falarmos das condições logo na primeira mensagem, porque a deslocação passa a fazer parte do plano.
Perguntas que me fazem antes de marcar
E se a data já estiver ocupada?
Digo-lhe logo. Não deixo ninguém à espera de uma resposta que já sei que é não. Se puder, sugiro uma colega de confiança.
Posso marcar sem fazer prova?
Pode, mas não recomendo. A prova evita surpresas no único dia em que não há tempo para as resolver. Para noivas que vêm de fora e não conseguem vir antes, fazemos a prova na véspera ou dois dias antes.
Quanto custa a maquilhagem de noiva?
Depende de três coisas: se há prova, quantas pessoas se maquilham e a distância até ao local. Diga-me isso e envio-lhe o orçamento por escrito, sem surpresas no dia.
Também maquilha as madrinhas e a mãe da noiva?
Sim, no mesmo dia e no mesmo sítio. Convém dizer-me quantas são logo na primeira mensagem, porque muda a hora a que começo.
Fala inglês?
Sim. Trabalho em português, inglês e espanhol. Muitas das noivas que maquilho vêm de fora de Portugal.
Uma última coisa
Se está a ler isto com o casamento marcado para daqui a um ano, está no momento certo. Se é para daqui a dois meses, escreva-me na mesma. Há sempre datas que se libertam, e prefiro dizer-lhe eu do que deixá-la a adivinhar.