A sobrancelha é a moldura do olhar. Muda a expressão do rosto mais do que qualquer outro elemento — e é o único que a maioria das pessoas desenha sozinha, à pressa, todas as manhãs, ao espelho da casa de banho.
O que é, e o que não é
A micropigmentação de sobrancelhas é um procedimento estético em que se depositam pigmentos nas camadas superficiais da pele para simular pêlo ou preencher zonas com falhas. Não é uma tatuagem: os pigmentos são de outra natureza, não viram azul ou verde com o tempo, e são aplicados a uma profundidade muito menor — por isso é que o efeito desaparece gradualmente em vez de ficar para sempre.
Esse desaparecimento é uma vantagem, não um defeito. As modas de sobrancelha mudam, e o seu rosto também muda. Um resultado que dura à volta de um ano permite corrigir o rumo; uma tatuagem definitiva não.
Fio a fio ou esfumado
São duas técnicas com resultados diferentes, e a escolha depende da sua pele e do resultado que quer.
Fio a fio (microblading)
Desenho traços individuais que imitam a direção do pêlo real. É a técnica mais natural ao perto e a indicada para quem tem sobrancelha com bom desenho mas com falhas pontuais. Funciona melhor em pele normal a seca; em pele muito oleosa os traços tendem a difundir-se e a perder definição mais depressa.
Efeito esfumado
Em vez de traços, aplico um sombreado suave que dá o aspeto de sobrancelha ligeiramente maquilhada. É mais indicado para pele oleosa, para quem tem muitas falhas, e para quem já está habituada a preencher a sobrancelha com lápis e gosta desse aspeto. Costuma durar mais tempo que o fio a fio.
Há ainda a combinação das duas, e em muitos casos é isso que faz sentido: traços na cabeça da sobrancelha, sombreado no corpo e na cauda.
O desenho é a parte mais importante
Antes de qualquer agulha tocar na pele, desenhamos. Meço as proporções do seu rosto, marco os pontos de início, arco e fim, e desenho a sobrancelha com lápis. Só avançamos quando estiver de acordo com o que vê ao espelho.
É aqui que o visagismo entra. A sobrancelha «da moda» pode ser exatamente a errada para si: um arco alto num rosto já alongado desequilibra-o, uma cauda demasiado descida fecha um olhar já naturalmente descaído. O desenho certo é o que equilibra o seu rosto, não o que está no Instagram.
Como decorre a sessão
Conte com duas a três horas. Depois do desenho aprovado, aplico anestésico tópico e trabalho por camadas, mostrando-lhe o progresso ao longo do processo. O desconforto é reduzido — a maioria das pessoas descreve-o como uma sensação de arranhão.
Nos primeiros dias a cor parece mais intensa e mais escura do que o resultado final. É normal e é passageiro: durante a cicatrização o pigmento clareia consideravelmente. Não avalie o resultado na primeira semana.
Cicatrização e retoque
A cicatrização leva cerca de duas semanas, durante as quais há formação de casca fina que não deve ser removida. Dou-lhe instruções escritas: evitar molhar a zona nos primeiros dias, nada de piscina, sauna, exposição solar direta ou esfoliantes.
O retoque, trinta a quarenta e cinco dias depois, faz parte do processo — não é uma correção de erro. É onde se ajusta a intensidade e se preenche o que a pele não reteve. Só depois do retoque é que se pode dizer que o trabalho está feito.
Quem não deve fazer
Há situações que exigem esperar ou desaconselham o procedimento: gravidez e amamentação, diabetes descompensada, doenças de pele ativas na zona, tratamento oncológico em curso, uso recente de isotretinoína, tendência a quelóides. Se toma anticoagulantes ou tem alguma condição de saúde relevante, diga-me antes de marcarmos.
Prefiro perder uma marcação a fazer um procedimento que não devia ser feito. Fale comigo com franqueza e eu digo-lhe honestamente se é o momento certo.


